Covid-19: transparência em 90% dos estados é insuficiente, diz pesquisa – Guajara Hoje

Covid-19: transparência em 90% dos estados é insuficiente, diz pesquisa

Pesquisa analisou dados disponibilizados pelos estados
Joédson Alves/EFE

As informações divulgadas sobre a pandemia do novo coronavírus são consideradas insuficientes em 90% dos estados e no governo federal, de acordo com o Índice de Transparência da Covid-19, da organização Open Knowledge Brasil, divulgado nesta sexta-feira (3). A pesquisa leva em conta dados publicados nos portais oficiais. As informações mais recentes foram processadas na quinta-feira (2).

O primeiro caso de covid-19 foi registrado no Brasil em 26 de fevereiro deste ano. O ministério da Saúde anunciou que houve 359 mortes no país até esta sexta-feira. Há 9.056 casos confirmados.

O levantamento indica que nenhum estado informa quantos leitos estão ocupados, nem de enfermarias, nem de UTIs, em relação ao total disponível. A organização destaca também a ausência de informações sobre testes disponíveis. Só uma das 28 unidades avaliadas disponibilizava esta informação. Três estados e o governo federal ainda não publicam informações por município e mais de 80% das unidades avaliadas (considerando 27 unidades federativas e a União) não divulgam dados em formato aberto, apenas em boletins ou em texto corrido. 

Índice

O índice avalia três dimensões de publicação de informações nos portais oficiais. Uma delas é o conteúdo das informações. Dados como idade, sexo, hospiotalização de pacientes confirmados e dados de infraestrutura de saúde, como ocupação de leitos e o número de testes disponíveis e aplicados. A segunda dimensão é a chamda granularidade, que avalia se os casos são disponibilizados de fomra individual e anônima e também leva em conta o grau de localização – como municípios e bairros. A terceira dimensão é o formato, que considera a publicação de papéis analíticos, planilhas em formato editável e séries históricas dos casos. 

Aos aspectos analisados dentro de cada uma das dimensões são atribuídos pesos diferentes que ajudam a compor uma nota final. O valor varia em uma escala de zero a cem, em que zero indica o menos transparente e cem, o mais.

Ranking

O ranking nacional é liderado pelo estado de Pernambuco, com 81 pontos, único com nível considerado alto. Em seguida, estão os estado do Ceará e (69) do Rio de Janeiro (64), com nível considerado bom. É classificado como opaco o nível de transparência de Amapá, Espírito Santo, Paraíba, Paraná, Santa Catarina e Sergipe, todos com 10 pontos e também de Pará e Rondônia, com pontuação zerada.

Mapa com desempenho por estado
Reprodução

A organização enviou os resultados da pesquisa a todos os estados analisados a para a União e conta que recebeu seis respostas, de Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Maranhão e Santa Catarina. Nenhuma delas questiona a pontuação obtida.  

De acordo com a OKBR, o Ministério da Saúde publica dados agregados e os estados não usam os mesmos parâmetros. “Há muita variação entre os estados. Isso pode prejudicar a comparação e dificultar o planejamento a infraestrutura de saúde necessária para lidar com a crise”, afirma Campagnucci. Os estados alertaram que enfrentam dificuldades desde o dia 27 de março, quando o Ministério da Saúde mudou o sistema nacional para registro de notificações.

De acordo com a OKB há, no entanto, uma evolução rápida no fornecimento de informações ao público, com destaque para os estados do Maranhão, Tocantins e Rio de Janeiro. “É preciso reconhecer os esforços desses gestores, pois esses dados são fundamentais para que pesquisadores e jornalistas possam ajudar os governos a monitorar a crise e mesmo contribuir com soluções”, diz Fernanda Campagnucci, diretora-executiva da OKBR. O índice será atualizado semanalmente.

 

Estado de Pernambuco lidera ranking
Reprodução

 

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