Procurando um curso de línguas? Estude com um refugiado

Adrienne é professora de francês

Adrienne é professora de francês
Divulgação

Adrienne Christelle desembarcou no Brasil em 2015. A jovem, licenciada em sociologia, deixou para trás não apenas sua carreira de secretária, como também sua terra natal, Camarões, na África, forçada pelos conflitos e as ameaças do grupo extremista Boko Haram.

“É muito difícil deixar o seu país, suas raízes”, conta ela. “Em Camarões, o sistema é muito fechado, sem oportunidades, eu trabalhava e não recebia salário”.  Quando surgiu a chance de vir para o Brasil, Adrienne não pensou duas vezes.

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Chegou aqui sozinha e foi acolhida pela comunidade africana que vive em São Paulo. Sem falar português, conseguiu um emprego como garçonete em um restaurante africano. Depois trabalhou como arrumadeira em um hotel. “Quando fui demitida, fiquei desesperada, precisava do emprego para me manter”.

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Adrienne descobriu o Instituto Adus, que tem como objetivo para integrar os refugiados na sociedade brasileira, e fez cursos de capacitação para dar aulas de francês. “Trabalho, consigo cuidar do meu filho, que está com 3 anos, e voltei a estudar”, atualmente ela cursa enfermagem.

Edgar Carrillo dá aula de espanhol

Edgar Carrillo dá aula de espanhol
Divulgação

História do venezuelano Edgar Carrillo é parecida com a de Adrienne. Ele também deixou seu país fugindo de conflitos e perseguições. “Após 2013, a Venezuela passou a sofrer com a escassez de alimentos, remédios e a perseguição política se intensificou”, conta.

Carrillo trabalhava como professor de espanhol no ensino médio e fundamental e vivia com o filho na Venezuela. “Meu filho passou a ser perseguido politicamente, decidimos que seria melhor deixar o país”, conta ele. Pai e filho tinham três possibilidades: seguir para o México, mas era muito caro. Ir para o Chile ou vir para o Brasil. “Tinha um amigo aqui em São Paulo, que poderia nos ajudar, então, optamos por vir para cá”.

“Os aeroportos não eram uma boa opção, havia um risco do meu filho ser detido, seguimos para a Colômbia e depois para o Brasil”, conta o professor. Chegaram na capital paulista com pouco dinheiro e enfrentaram dificuldades para a adaptação. “Foram meses difíceis, mas em comparação com o que estávamos vivendo, aqui é muito melhor”.

Hoje, Carrillo dá aulas de espanhol. Mais de 500 alunos já passaram pelo projeto Mente Aberta do Instituto Adus, que nasceu em 2014 com o objetivo de dar uma oportunidade para que as pessoas, com currículos qualificados, pudessem ter uma fonte de renda e uma vida digna no Brasil.

“A história dos professores e as suas origens são componentes que enriquecem as aulas” – avalia a coordenadora geral do Mente Aberta, Cleita Fernandes –  “acreditamos que além do aprendizado do idioma com um professor nativo como é o caso dos professores de Espanhol e francês, a rica troca de cultural e sensibilização com a causa do refúgio, é o que mais impacta nos alunos.”

“Por outro lado, os professores são impactados com a inserção no mercado de trabalho e com oportunidade de um recomeço digno e inserção na sociedade”, diz.

E o Instituto está com inscrições abertas para os cursos de línguas – Inglês, Francês e Espanhol – até o dia 30 de julho. As aulas começam no dia 10 de agosto.

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