Todas gavetas na casa de João de Deus têm fundos falsos, diz polícia

João de Deus está preso em Goiânia desde o dia 16

João de Deus está preso em Goiânia desde o dia 16
Walterson Rosa/Folhapress – 16.12.2018

Logo após ouvir o depoimento da mulher de João de Deus, Ana Keyla Teixeira, a Polícia Civil de Goiás informou, nesta quarta-feira (26), que todas as gavetas da casa em que o médium João de Deus morava, em Abadiânia (a cerca de 100 km de Goiânia), possuem fundos falsos.

Durantes as buscas autorizadas pela Justiça, a polícia goiana encontrou R$ 1,2 milhão e pedras preciosas, além de armas e pistolas, em endereços ligados ao médium nos últimos dias.

De acordo com as investigações, as gavetas foram planejadas e faziam parte da construção da casa. Elas seguiam padrões similares e, por isso, de acordo com a polícia, quando uma fosse descoberta, as outras também seriam facilmente identificadas.

Segundo a polícia, Ana Keyla Teixeira, 40 anos, negou ter conhecimento dos fundos falsos e disse que não sabia da presença do dinheiro e armas apreendidas na residência dela.

“Apesar de [a mulher de João de Deus] negar veementemente ter conhecimento dos fatos, é quase impossível não mexer no guarda-roupas no seu quarto. Como você vai mexer e não vai mexer em uma gaveta? As armas e as munições estavam facilmente expostas. Os valores estavam em um saco plástico de mercado. É um ponto de contradição para as investigações”, disse a delegada Paula Meotti, que integra a força-tarefa da Polícia Civil que apura o caso.

Ana Keyla disse à polícia que, por causa da filha pequena, não deixaria que João de Deus ficasse com armas dentro de casa. As buscas e apreensões ocorreram no quarto do casal, onde foram encontradas grande quantidade de dinheiro e armas de fogo.

A mulher de João de Deus pode responder por posse de arma de fogo e lavagem de dinheiro se a polícia apurar que ela tinha conhecimento dos locais onde estavam os materiais apreendidos.

Semelhança com as vítimas

Ainda segundo a polícia, a mulher de João de Deus segue um perfil parecido com a das supostas vítimas do médium. Ela é 35 anos mais nova que ele e, no depoimento, teria dito que conheceu o médium quando tinha 10 anos, quando foi visitá-lo com a mãe. Desde a primeira vez que o viu, “o coração palpitou”, segundo a polícia. No entanto, eles estão juntos desde 2001, quando ela tinha 22 anos.

No depoimento, Ana Keyla disse que, até decidir morar com o médium, frequentava a casa esporadicamente e nunca ouviu nenhum relato de qualquer mulher sobre possíveis violências sexuais antes ou depois de se casar com ele.

A polícia diz que a mulher demonstra acreditar na inocência de João de Deus e o vê como muita “admiração”, o que demonstraria que ele tem um poder de persuasão muito relevante sobre ela.

“O que a gente percebe e trouxe de relevante é a admiração que ela tem por ele, que o poder dele vem de Deus. […] Ele tem um poder de persuasão sobre ela semelhante ao das outras frequentadoras da casa [centro em que João de Deus atendia em Abadiânia]”, disse a delegada.

A Polícia Civil ainda avalia se a mulher será enquadrada no processo apenas como testemunha ou se será indiciada como coautora dos crimes.

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