EUA revogam status comercial especial com Hong Kong – Guajara Hoje

EUA revogam status comercial especial com Hong Kong

Moradores de Hong Kong seguem protestando contra lei de segurança nacional

Moradores de Hong Kong seguem protestando contra lei de segurança nacional

Jerome Favre / EFE – EPA – 28.6.2020

O governo dos EUA retirou o “status especial” concedido a Hong Kong devido ao risco de que a região desvie tecnologia americana “sensível” às autoridades da China, informou nesta segunda-feira (29) o secretário de Comércio, Wilbur Ross.

Leia também: Hong Kong alerta EUA que anular status especial é problemático

“As regulamentações do Departamento de Comércio que permitem um tratamento preferencial a Hong Kong sobre a China, incluindo a disponibilidade de exceções às licenças de exportação, estão suspensas”, anunciou Ross.

A adoção da medida vem em um momento em que o Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional da China (Legislativo) debate a aprovação de uma polêmica lei de segurança nacional para Hong Kong, o último passo para que a norma entre em vigor. A próxima quarta-feira marca 23 anos desde que a cidade saiu do domínio britânico para retornar às mãos chinesas.

Ross explicou que “com a imposição por parte do Partido Comunista da China de novas medidas de segurança em Hong Kong, o risco de tecnologia sensível dos EUA ser desviada para o Exército de Libertação Popular ou o Ministério de Segurança do Estado (chinês) aumentou, afetando a autonomia do território”.

“São riscos que os EUA se recusam a aceitar e resultaram na retirada do status especial de Hong Kong”, acrescentou o secretário de Comércio, ao antecipar que mais “ações para eliminar o tratamento diferenciado” estão sendo estudadas.

Além disso, Ross pediu para que o governo chinês “reverta imediatamente o curso e cumpra as promessas feitas ao povo de Hong Kong e ao mundo”.

Antes de Hong Kong voltar do Reino Unido para a China em 1997, os EUA aprovaram uma lei que estipulava que o governo americano continuaria tratando esse território sob as mesmas condições aplicadas quando tratava-se de uma colônia britânica.

No entanto, em novembro do ano passado, em meio à onda de protestos pró-democracria e a repressão policial na cidade, oo presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma lei — apoiada tanto por republicanos como por democratas — que estabelecia que o Departamento de Estado deveria comunicar anualmente ao Congresso se os EUA deveriam manter a relação especial com Hong Kong.

No final de maio, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, comunicou ao Congresso do país que já não se poderia considerar Hong Kong um território autônomo da China.

Consequências imediatas

A retirada do status teve consequências imediatas. Pompeo informou nesta segunda-feira que o país deixará de exportar equipamento militar a Hong Kong desde já.

Pompeo adiantou também que o governo americano “tomará medidas para impor as mesmas restrições de (material de) defesa dos EUA e tecnologias de dupla finalidade a Hong Kong e China”.

De acordo com Pompeo, a decisão do “Partido Comunista da China de aniquilar as liberdades de Hong Kong forçou o governo Trump a reavaliar suas políticas para o território”.

Além disso, o secretário de Estado acusou Pequim de descumprir os compromissos feitos na Declaração Conjunta Sino-Britânica de 1984, e esclareceu que a ação do governo americano é contra “o regime” chinês, não contra o povo.

A Declaração Conjunta Sino-Britânica serviu para sacramentar a volta de Hong Kong à China em 1997 e estabeleceu a manutenção por 50 anos, a partir dessa data, de uma série de liberdades no território que não existem no restante do país.

Powered by WPeMatico

Please follow and like us: